Tangará - a dança da Unidade

20.03.2017

 

Meu primeiro contato verdadeiro com a cultura Guarani, aqui em Florianópolis, foi quando tivemos a alegria de receber em nosso programa de rádio, a Kerexu! Eunice, como ela se identifica em nossa cultura, é uma dessas mulheres que passam pela vida deixando um legado para os seus! Uma das primeiras Caciques mulher do Brasil, lutou e luta até hoje por seu povo, para manter a sua cultura e os direitos dos Guarani! Hoje é Educadora na escola Indígena Itaty, no Morro dos cavalos, além de importante líder, movimentando e defendendo a comunidade, principalmente as mulheres!

 

Fiquei tão emocionada ao ouví-la falar sobre a natureza, sobre subir nas árvores, sobre se banhar no rio, sobre se alimentar do que a terra dá... sobre crescer com os pés fincados na mata... Pés estes que só conheceram calçado aos 13 anos de idade!

 

Compartilhou com a gente a forma mística e respeitosa com que elegem os nomes dos filhos enviados por Nhanderú. Revelou quanto seu povo também sofre um afastamento silencioso e gradativo, da sua Natureza, refletido na forma de vida dos jovens da comunidade. E, finalmente, no dia das mulheres, pudemos conhecer de perto a comunidade do Morro dos cavalos. O Lar atual deste grupo forte de Guaranis, que buscam preservar sua língua, sua forma de cuidar e cultivar a terra, de cantar, de rezar, de cuidar dos seus filhos, de viver a natureza! Foi um dia cheio de trocas, de conversa e de dança! Participamos de uma dança circular com eles! Foi realmente especial aprender a cantar (em Guarani!) e a dançar com eles! Uma dança que, para mim, fala de unidade! De sermos um grupo! De reverenciar a natureza e celebrar a vida! Tangará! Um pássaro que voa reverenciando o Sol! Que pula, dança, gira e anda em bando... Juntos formando um só!

 

Tangará ka`aru nhaguõ, tangará ka`aru nhaguõ Ojerojy, ojerojy Onhembo jerejere, Onhembo jerejere, Opo`opo, guyrõ guyrõ.

 

A tradução é mais ou menos essa: Tangará ao entardecer, tangará ao entardecer, E ele dança e ele dança E ele gira e ele gira e também pula E também pula e mergulha. E neste mês, onde abriu-se espaço para tantas discussões sobre gênero, sobre o respeito às mulheres, também nos sentimos chamadas para trazer este assunto para nossas crianças, nas oficinas do Gente Curiosa. São brincadeiras instigantes e profundas, que trazem uma mensagem de igualdade e respeito para o coração dos pequenos! E hoje! Quanta alegria ao compartilhar com eles algo do que aprendemos com os Guarani! Pintamos o corpo como sinal de que somos todos uma unidade! Depois, cantamos e dançamos, numa roda onde, girando e dançando juntos, a pesar de nos sentirmos um, também pudemos nos colocar no lugar do outro, calçando seus sapatos! Foi uma experiência divertida, importante e muito linda!!! Obrigada Guaranis, por resgatarem em nós nossas raízes em comum: nosso elo fundamental na grande teia da vida!

 

Confira nosso programa na Rádio Comunitária Pinheira no link

 

 

 

 

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